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Furacãozinho – ou sobre como se deu a construção do laboratório

16 maio

Após algum tempo e muito pensar, mudei fortemente o rumo de minha carreira profissional. Não adianta, não sou o tipo de pessoa que se contenta em trabalhar em algo que não gosta (ou gosta, mas não o suficiente) apenas para receber um contracheque legalzinho no quinto dia útil. Como já disse o Fernando Anitelli “É mérito conseguirmos um trabalho no país como o nosso, mas é um monstro quando este trabalho tira de nós a possibilidade de ser e estar”.

O trabalho estava se tornando um monstro prestes a sair do armário a cada momento. Então decidi (1) sair desse esquema de trabalho e (2) ser minha prória chefe e ter uma empresa para desenvolver o que realmente quero nesse momento: Cosméticos naturais.

* Item 1: Feito!

Após um bom tempo contribuindo, me libertei do sistema. Um tanto exagerada, mas me senti liberta mesmo, quando minha carteira de trabalho me foi entregue com um carimbo de desligamento da empresa. Gostava muito do ambiente de trabalho e das pessoas que me cercavam, mas o ritmo alucinante de trabalho e o capitalismo desenfreado contribuiam para que eu tivesse cada vez menos vontade de estar lá. E em qualquer outro lugar como publicitária seria pior, certeza. Bom, a publicidade nua e crua está descartada da minha listinha de coisas que gosto. Toda a arte dessa profissão, o que aprendi na faculdade, não existe no mundo real.

* Item 2: Em processo.

Já venho há cerca de dois anos estudando e fazendo pequenos experimentos em saboaria e cosmética naturais, na cozinha e área de serviço de casa. Porém, para realmente assumir isso como profissão, devo ter um espaço próprio para estudar e fazer as minhas receitas, lugar limpo, organizado, que não tenha interferência de outras coisas (como  o almoço sendo feito ou a roupa que precisa ser estendida no varal).

Joguei a ideia no ar, e meu pai a pescou. Sim, ele topou me ajudar a fazer um laboratório! E então começou a saga.

Dia 07 de março | Organização do espaço.

No começo as obras eram feitas aos fins de semana, quando eu estava em casa, já que ainda estava trabalhando todos os dias. Bom, tínhamos um canto que parecia ideal, se conseguíssemos tirar todas as tralhas, organizar e limpar tudo. Um espacinho de 2,10×1,60m, tinha que ser muito bem pensado para dar conta de tudo o que precisa funcionar ali. Depois de projetos e projetos, começamos. Então o primeiro dia foi de faxina. Incrível como os objetos tendem a se amontoar nos cantos. Havia tanta coisa ali que fazia anos que aquela porta não era aberta. Depois de tirar tudo, jato de água desde o telhado, por cima, para limpar as telhas transparentes, e voltar a entrar sol por ali. Paredes e chão com o mesmo tratamento.

Dia 13 de março | Fabricação da parede.

Ninguém que nunca tenha feito uma parede não consegue conceber quanto cálculo é preciso fazer pra esse negócio dar certo. E a madeira, ainda meio verde, encolhia e expandia de um dia para o outro. Mas deu certo!

É só meu pai aparece porque só eu manipulava a câmera. Eu trabalhei muito também, tá?

Até dia 27 de março | Fabricação da bancada e prateleiras.

… E não são fotos de exposição das máquinas. Haha. Inclusive há uma foto do pai tirando as pontinhas dos parafusos no lugar onde posteriormente virou a maçaneta da porta.

A bancada tem uma parte para escrivaninha, já que além de laboratório esse lugar me servirá como escritório. E várias prateleiras para os montes de coisa que o laboratório terá.

Dia 14 de abril | Grata surpresa

Ao chegar em casa do trabalho, eis que estavam meu pai e o Kiko, amigo da família, me esperando. Kiko foi professor da Engenharia Química na UFSC, além de várias outras facetas. Ele tem me incentivado bastante a vir pra essa área, e me trouxe presentes. Após uma profunda faxina na casa dele, achou alguns instrumentos de laboratório, recipientes, aparelhos, balança, suportes e outras coisas que não estavam mais sendo usadas, e ele trouxe para que eu use no meu laboratório! Vidros antigos, de uma farmácia que era do seu pai. Trouxe também uma pia, porque “um bom laboratório precisa de uma pia”. Pia novinha, de inox, que estava guardada lá, e ele ainda comprou torneira e encanamento, além de azulejos para forrar a bancada. Todas essas coisas ainda não estavam planejadas para a obra, e depois de voltarmos a estudar os projetos por um tempo, tudo se resolveu, e as obras continuaram com essas mudanças.

Até dia 24 de abril | Instalação hidráulica e pintura

Usando as tintas que tínhamos guardadas em casa de outras reformas, e alguns corantes, fiz o azul e o marronzinho, que acabaram combinando com a cor dos canos de água. Ficou bem legal!

E a água, puxada direto da caixa. Agora tenho um registro, uma torneira e até um sifão!

Até 05 de maio | Instalação elétrica

Fios, lâmpadas, calhinhas,… Luz!

Até hoje | Arrumação!

Colocando tudo no lugar. E sim, naquele espacinho pequeno coube a bancada, o armário e tem lugar até para uma cadeira (que ainda não foi adquirida). Aos poucos organizando tudo. Colocando os produtos em pó em vidros, etiquetando e limpando, catalogando as infusões, listando os produtos que devem ser usados em breve…

Vai um tempinho ainda até tudo ficar 100%. Falta a pintura por fora, terminar de colocar os azulejos na bancada (falta a máquina de cortar as peças), fazer uma cortina de plástico grosso pra ficar do lado de fora dos tijolinhos (porque agora está ficando frio que dói, e o vento é cruel). Mas já está lindo! E pra trabalhar será ótimo!

Agradecimentos à mãe, que incentivou a construção e minha saída do outro trabalho; ao Kiko que me trouxe vários apetrechos pro laboratório e um brilho no olho de ver as coisas sendo usadas; ao Yuri, primeiro acionista da empresa; aos amigos pessoais e virtuais; e especialmente ao meu pai, que foi fundamental, e trabalhou mais do que eu nesse laboratório.

Muito obrigada.

E agora, vou pro trabalho. =)


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