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Nascido das cinzas – Sabão ancestral

5 ago

Olá! Vim hoje falar da gratificante experiência que tive ao fazer o antigo sabão de cinzas.

Há alguns anos tomei conhecimento da existência desse sabão feito somente com cinzas, gorduras e água. Sim, só isso. E funciona!

Primeiro um pouquinho de história.

Esse é o primogênito, a primeira espécie de sabão que existiu. E, como muita coisa nesse mundo, ele foi feito por acaso. Algumas histórias contam que os humanos se aperceberam dessa criação em altares de adoração, outras histórias falam que o “descobrimento” do sabão remete ao início do costume de ingerir carne. Bom, nas duas versões, o princípio foi o mesmo: a gordura de animais mortos (em sacrifício ou para saciar a fome) se misturava às cinzas das fogueiras e acabava formando uma pasta com poder de limpar os cabelos, os utensílios, e tudo mais que estivesse gorduroso.

Apesar dos incontáveis anos, e das outras tantas técnicas de saboaria, os sabões pretos feitos de cinza ainda hoje são utilizados, e muito conhecidos por sua incrível capacidade de fazer bem pra pele.

O clássico sabão preto marroquino, usado em spas por todo o mundo é feito a partir de cinzas, azeite de oliva e da própria azeitona esmagada. É considerado um esfoliante inigualável. Vem em potinhos, e tem a textura pastosa.

Sabão marroquino

Sabão marroquino comercial

Uma pasta que quase faz milagres. No Marrocos ainda se encontra esse sabão feito de forma extremamente artesanal, e vendido à granel nas feiras.

Sabão marroquino na feira

Sabão marroquino na feira

Há também o sabão preto africano, que é feito com óleo de palma, palmiste, coco, mel e cinzas de palmeira, bananeira e de casca de cacau. Esse sabão possui ferro e vitaminas A & E por essa composição e é usado também como shampoo e como máscara para o rosto: um item de beleza!

Sabão preto africano

Sabão preto africano

Independente de onde venha, o sabão feito a partir de cinzas é boníssimo para a pele. Extremamente suave. Incomparável. A cinza é o componente alcalino que produz a saponificação das gorduras, a base forte necessária para o processo. Ela faz a função que vemos normalmente exercida pelo NaOH, a soda cáustica. Essa substituição torna o sabão muito mais delicado, beneficiando muito a pele.

Agora, a minha história com esse sabão.

Pesquisei bastante, vi que as formulas são um tanto incertas, e li várias coisas divergentes sobre a manufatura. Com isso, e com dicas de quem já fez, tirei algumas conclusões e me aventurei, ainda na incerteza.

A primeira coisa que se descobre é que não existe receita! Talvez por isso eu tenha demorado uns quatro anos para pôr em prática isso.  Tá, não existe receita porque cada cinza é diferente. Cada tipo de madeira, ao ser queimada, produz cinza com uma certa porcentagem de basicidade, que vai afetar na saponificação.

É bem importante que a cinza escolhida seja confiável, de madeira sem nenhum tipo de pintura ou tratamento, e sem cinzas de outras coisas (muita gente aproveita o fogo pra queimar lixo, se liguem!). Tenho a sorte de conhecer uma pessoa sensacional, que vive num sitiozinho, planta tudo orgânico e queima só madeira de poda das árvores no fogão à lenha. Dona AnA, beijão pra senhora!

O que fiz foi coar a cinza em um pano grosso, como se coa café, mas com água em temperatura ambiente. Há quem diga que se deve fazer furos num balde, socar a cinza lá e deixar a água “lavar”, há também a técnica de ferver a cinza com água e simplesmente separar o líquido depois. Bom, escolhi aquele jeito porque me pareceu o mais prático.

Decoada - de coada

Decoada – de coada

A essa água se dá o nome de decoada, ela é rica em hidróxido de potássio, a base forte necessária para fazer o sabão. Como falei, não há receita, mas para terem uma ideia eu obtive 9L de água de decoada a partir de 1,5kg de cinzas.

O próximo passo é o fogão. E deve-se ter um adicional de paciência. Nessa receita usei 250g de gorduras: 150g de óleo de palmiste e 100 de manteiga de cupuaçu. Sabendo que esse sabão não iria ficar tão duro nem não espumoso quanto os sabões feitos com soda, quis aumentar um pouco essas características com a escolha da gordura. Apesar de que essas não são características que definem um bom sabão! Falarei disso mais tarde.

Nem tudo que parece brigadeiro é.

Nem tudo que parece brigadeiro é.

Bom, resumindo: coloca-se a gordura em uma panela (que não seja de alumínio) no fogo e vai se adicionando aos poucos a água decoada. Usei os 9L que consegui e teria colocado mais se houvesse, porque não estou bem certa de que foi suficiente.

O ponto se define pegando um pouquinho para lavar as mãos. Se não tiver pronto ainda vai se comportar como margarina, só vai melecar. Se tiver pronto, vai promover uma limpeza bem suave, com poucas espuma, mas uma sensação bem boa. E é isso. Simples assim.

O detalhe é que, no meu caso, a tal panela ficou 20h no fogo. Mas ao menos dá pra desligar e continuar no dia seguinte. Aqui foram 4 dias em função. Foram três para preparar a decoada e cozinhar e o quarto dia apenas para perfumar e colocar nas forminhas.

Forminhas provisórias cheias

Forminhas provisórias cheias

Bom, agora é esperar alguns meses para que esse sabão seque e possa ser usado como sabonete em barra. Também se pode usar assim, em pasta, sem problemas. Hoje recebi uma dica bem legal: Como esse sabão é danado para secar, é preferível que fique em formas pequenas e de madeira, ou outro material poroso, para facilitar a secagem.

Olha, eu sou uma pessoa bem paciente, mas confesso que foi difícil. A forma de fazer é super simples, mas bem trabalhosa. A decoada demora, e faz muita sujeira. No cozimento, se botar muita água passa por cima da borda da panela, se botar pouca, queima. Na hora de enformar é uma melaceira, porque a massa fica grudenta, e é difícil de entrar na forma.

Apesar de tudo, é extremamente gratificante! Ver que de simples cinzas se faz um sabonete maravilhoso faz valer a pena o esforço. E esse sabonete é realmente especial. Tive o privilégio de conhecer o sabão de cinza através de mãos habilidosas e pude conhecer a suavidade da limpeza que ele promove. Dona AnE, beijão pra senhora!

Bom, acho que deu pra perceber o quanto é especial esse sabão. Então, por favor, preste atenção aos detalhes ao botar isso em prática. Obtenha cinza de confiança, limpinha. Escolha bons óleos, de qualidade. Não use NaOH para acelerar o processo, isso destrói a característica primordial do sabão. E perfume com óleos essenciais ou compostos totalmente naturais, de procedência garantida; graça nenhuma jogar uma essência sintética fedorenta num sabão especial assim, né?

Fiz o sabão no meu fogão normal de casa, à gás. Mas acredito que, tendo um fogão à lenha aceso no inverno para esquentar a casa (e já produzir cinza), e um tacho grande que possa ficar por ali, seja mais fácil e barato fazer esse sabão. Além de poder contar com as qualidades mágicas do fogão à lenha, que faz as melhores comidas, e deve também fazer o melhor sabão!

E por aí, não bateu a vontade de conhecer esse sabão fabuloso?

 

Algumas de minhas pesquisas para esse artiguinho foram aqui, aqui, aqui e aqui.

 

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Louro, lourinho.

14 set
alepo

Sabão de Alepo em processo de cura

A inspiração é no sabão de Alepo, usado desde a antiguidade, quase que como um remédio para problemas de pele. Ele é totalmente natural e sua história começou em Alepo, na Síria, há mais de dois mil anos. A receita ancestral tem passado de geração em geração, sem ter sofrido alterações.

O Sabão de Alepo precisa de aproximadamente nove meses, para secar ao ar livre, em grandes extensões. Durante esse tempo o sabão passa naturalmente da cor verde inicial, ao amarelo esverdeado, mas por dentro, no interior, conserva o verde original e intenso. Esse sabão é considerado o pai de todos os tipos de sabão, diz-se que foi a partir do sabão de Alepo que surgiram outras formulas e composições.

Bom, pensando nesse sabão, e sem ter os ingredientes exatos para tentar reproduzi-lo, resolvi improvisar. Há mais de um ano achei uma árvore de louro em um sítio, e fiz infusão de folhas frescas em azeite de oliva. Achei também baguinhas de louro, que não são as mesmas das quais se faz o óleo de louro, são mais parecidas com brotinhos, mas fiz uma infusão delas também.

O sabão original é produzido à base de azeite de oliva e óleo de bagas de louro, que não aparece por esses lados do mundo.  Já o meu sabão é com azeites infusos, impregnados de louro. E um luxinho, óleo essencial de louro, um presente especial que tenho guardado a chave.

Fiz duas partidas:

  • Cold process

Esse sabãozinho foi feito do mesmo jeito que eu sempre faço, com os óleos amornados, praticamente a frio. Usei só os óleos infusos de oliva para a saponificação. E no incremento, manteiga de cacau e o óleo de louro. Ficou um sonho!

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  Agora é só esperar uns meses até ele ficar pronto de verdade… Ai, ansiedade.

  • Hot process

Esse outro sabão foi feito de um jeito diferente. Depois de atingido o traço (que é o ponto onde eu daria o trabalho por terminado e colocaria a massa na forma) ele vai pro forno. Sim, no forno!

Pense no medo da pessoa, primeira experiência com a técnica, e logo com esse óleo infuso que demorou tanto tempo para ficar pronto!

Mas deu tudo certo, ficou bem bonito. E o melhor dessa técnica, ele fica pronto na hora (não precisa daquela cura de meses para estabilizar o pH), e o aroma fica muito mais forte, porque o sabão já está pronto quando se adiciona os OEs. A aparência dele é mais rústica, achei lindo!

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Fiz esse sabão com o óleo de oliva infuso com louro e óleo de palmiste, que também é especial, veio de um cara de alma bonita que não está mais por aqui.

A perfumação foi com o OE de louro e de copaíba. Cheiro de mato no tempo frio que me lembrou Urubici, a cidade do meu pai, na Serra aqui de Santa Catarina.

Ah, há muito tempo eu não fazia sabão-sabonete assim, com tanto esmero. Sempre há o que melhorar, mas gostei muito, muito deles. Tô bem feliz com minhas produções.

E a próxima infusão será com folhas de louro secas… Um anjinho soprou pra mim que pode ser ainda melhor…

Medindo pH com repolho.

26 ago

Vim mostrar um teste que fiz. Há um tempo já tinha curiosidade para testar um indicativo de pH caseiro, e hoje foi o dia.

O pH, potencial de hidrogênio iônico, é um índice que mostra a acidez, neutralidade ou alcalinidade de um meio qualquer. A escala do pH pode variar de 0 até 14, sendo que quanto menor o índice do pH de uma substância, mais ácida esta substância será.

Na fabricação de sabonetes artesanais desde a base, é fundamental controlar o pH, para sabermos se ele está ou não próprio para ser aplicado sobre a pele. O pH da pele humana de um adulto saudável fica entre 4,5 e 6. Os sabonetes feitos por cold process, o processo que utilizo, são normalmente alcalinos, então, quanto mais baixo, próximo da neutralidade, melhor.

A matéria-prima do experimento

O repolho roxo contém antocianinas, que são pigmentos responsáveis por uma variedade de cores de frutas, flores e folhas que variam do vermelho ao azul em função do pH da solução em que se encontram.

Graças às propriedades das antocianinas, é possível utilizar um extrato de repolho roxo como indicador do pH (ou seja, da acidez ou alcalinidade) de uma solução.

Para isso é só ferver um litro de água em uma panela. Quando estiver borbulhando, colocar pouco menos de uma xícara de repolho roxo picado grosseiramente, desligar o fogo, tampar e deixar voltar à temperatura ambiente. Depois, coar e guardar em um frasco limpo com tampa.

A tabela de comparação da solução de repolho roxo é essa:

pH da solução         Cor
1 – 5                        vermelho / rosa
6 – 7                        violeta
8 – 10                      azul
11 – 12                     verde
13                              amarelo

Coloca-se água limpa com espuma do sabão do qual se quer saber o pH em um becker de vidro, com a mesma quantidade do “chá de repolho roxo”. Instantaneamente a mistura muda de cor, e é só comparar com a tabela acima. Um cold bem curado, fica com pH entre 7,5 e 9, deve dar uma corzinha azul, dificilmente chega no lilás, pela sua composição intrínseca.

Meus testes:

Sutis (?) diferenças de cor

Obs. Tirei todas as fotos com a mesma luz, na mesma posição. Mas mesmo assim algumas cores não ficaram fiéis. Por isso as legendas das cores.

1 | Azul-Esverdeado. Sabonete que não deu muito certo em seus tempos áureos, e virou sabão líquido para lavar louça. Tem uns 6 meses já, e o pH ainda  não está certo. Resultado de uma receita mal elaborada.

2 | Verde-Vivo. Sabão feito há 5 dias. Dentro do previsto, só fica adequado para uso depois de aproximadamente um mês de cura.

3 | Azulzinho. Sabonete líquido feito só com azeite de oliva, tem quase um ano já.

4 | Azul-Arroxeado. Sabão super-delicado para a pele, feito há cerca de um ano também, com 70% azeite de oliva.

5 | Azul-Arroxeado. Sabão Ceci, postado aqui.

6 | Verdinho levemente azulado. Lux.

7 | Verdinho. Johnson.

8 | Amarelão.  Não, não é sabão. É lixívia, água+soda. Pra testar, ver se funciona mesmo. Deu certo.

9 | Roxinho lindo. Shampoo Elseve.

10 | Roxão. Esse é o chá de repolho.

E quem faz sabão, aposto que pensou em como usar essas cores nas criações… Os corantes naturais, essa é uma outra história.

Bom, não tive como comparar esses resultados, não tenho aqui no momento outra forma de testar o pH. Minha surpresa foi com os sabonetes industriais, que imaginei que tivessem o pH bem menor.

De qualquer forma, advirto que isso é apenas um teste caseiro, sem intenção alguma de ser usado tecnicamente, ou de confrontar quem quer que seja. E não irei usar somente esse método para medir o pH das minhas produções, vou precisar fazer muitos testes ainda antes disso.

Mas seria bem legal, teria bem a ver com o intuito dos produtos que faço, usar a natureza que está perto de mim, cuidar da sustentabilidade. Seria bem interessante, mesmo. Retomaremos adiante.

Obrigada pela atenção, e deixe sua contribuição.

Fiz pesquisas aqui:

http://saponiciencia.wordpress.com/2008/10/05/indicador-caseiro-de-ph/

web.ccead.puc-rio.br/condigital/video/…/cosmeticos/…/guiaDidatico.pdf

Ceci | Lote 01-2011

30 jun

Apresentando-lhes: O primeiro sabão feito no laboratório novo.

Ceci.

Com um aroma baseado nos óleos essenciais de cedro e citronela, compondo, com outros, um blend cítrico-amadeirado.

Ceci - com extrato de arruda, carvão vegetal e blend cítrico-amadeirado.

A faixinha escura é efeito de carvão vegetal reduzido a pó. Tintura de alecrim, além de ajudar na aromatização, ajuda na conservação do sabonete. O sumo de arruda traz ao sabonete propriedades adstringentes e anti-inflamatórias, além de uma cor levemente esverdeada.

Ingredientes utilizados:

.Óleo de palmiste

.Azeite de oliva

.Óleo de soja

.Manteiga de cupuaçu

.Cera de abelha

.Hidróxido de sódio

.Tintura de alecrim

.Carvão vegetal

.Sumo de arruda

.Blend de óleos essenciais

Feito em 06/06/2011

Liberado para uso em 04/07/2011

Em breve na lojinha virtual 😉

Embalando.

3 jun

Ainda no clima de organização do laboratório, hoje foi dia de embalar alguns sabonetes que estavam há algum tempo prontos. Nada de vendas ainda. Distribuir entre amigos, para saber se está tudo certo.

Sabonete com efeito ambarado

Sabonete feito com óleos de palmiste, soja e oliva, com manteiga de cupuaçu e OE de Palmarosa

E os planos seguem… Novidades em breve.

Furacãozinho – ou sobre como se deu a construção do laboratório

16 maio

Após algum tempo e muito pensar, mudei fortemente o rumo de minha carreira profissional. Não adianta, não sou o tipo de pessoa que se contenta em trabalhar em algo que não gosta (ou gosta, mas não o suficiente) apenas para receber um contracheque legalzinho no quinto dia útil. Como já disse o Fernando Anitelli “É mérito conseguirmos um trabalho no país como o nosso, mas é um monstro quando este trabalho tira de nós a possibilidade de ser e estar”.

O trabalho estava se tornando um monstro prestes a sair do armário a cada momento. Então decidi (1) sair desse esquema de trabalho e (2) ser minha prória chefe e ter uma empresa para desenvolver o que realmente quero nesse momento: Cosméticos naturais.

* Item 1: Feito!

Após um bom tempo contribuindo, me libertei do sistema. Um tanto exagerada, mas me senti liberta mesmo, quando minha carteira de trabalho me foi entregue com um carimbo de desligamento da empresa. Gostava muito do ambiente de trabalho e das pessoas que me cercavam, mas o ritmo alucinante de trabalho e o capitalismo desenfreado contribuiam para que eu tivesse cada vez menos vontade de estar lá. E em qualquer outro lugar como publicitária seria pior, certeza. Bom, a publicidade nua e crua está descartada da minha listinha de coisas que gosto. Toda a arte dessa profissão, o que aprendi na faculdade, não existe no mundo real.

* Item 2: Em processo.

Já venho há cerca de dois anos estudando e fazendo pequenos experimentos em saboaria e cosmética naturais, na cozinha e área de serviço de casa. Porém, para realmente assumir isso como profissão, devo ter um espaço próprio para estudar e fazer as minhas receitas, lugar limpo, organizado, que não tenha interferência de outras coisas (como  o almoço sendo feito ou a roupa que precisa ser estendida no varal).

Joguei a ideia no ar, e meu pai a pescou. Sim, ele topou me ajudar a fazer um laboratório! E então começou a saga.

Dia 07 de março | Organização do espaço.

No começo as obras eram feitas aos fins de semana, quando eu estava em casa, já que ainda estava trabalhando todos os dias. Bom, tínhamos um canto que parecia ideal, se conseguíssemos tirar todas as tralhas, organizar e limpar tudo. Um espacinho de 2,10×1,60m, tinha que ser muito bem pensado para dar conta de tudo o que precisa funcionar ali. Depois de projetos e projetos, começamos. Então o primeiro dia foi de faxina. Incrível como os objetos tendem a se amontoar nos cantos. Havia tanta coisa ali que fazia anos que aquela porta não era aberta. Depois de tirar tudo, jato de água desde o telhado, por cima, para limpar as telhas transparentes, e voltar a entrar sol por ali. Paredes e chão com o mesmo tratamento.

Dia 13 de março | Fabricação da parede.

Ninguém que nunca tenha feito uma parede não consegue conceber quanto cálculo é preciso fazer pra esse negócio dar certo. E a madeira, ainda meio verde, encolhia e expandia de um dia para o outro. Mas deu certo!

É só meu pai aparece porque só eu manipulava a câmera. Eu trabalhei muito também, tá?

Até dia 27 de março | Fabricação da bancada e prateleiras.

… E não são fotos de exposição das máquinas. Haha. Inclusive há uma foto do pai tirando as pontinhas dos parafusos no lugar onde posteriormente virou a maçaneta da porta.

A bancada tem uma parte para escrivaninha, já que além de laboratório esse lugar me servirá como escritório. E várias prateleiras para os montes de coisa que o laboratório terá.

Dia 14 de abril | Grata surpresa

Ao chegar em casa do trabalho, eis que estavam meu pai e o Kiko, amigo da família, me esperando. Kiko foi professor da Engenharia Química na UFSC, além de várias outras facetas. Ele tem me incentivado bastante a vir pra essa área, e me trouxe presentes. Após uma profunda faxina na casa dele, achou alguns instrumentos de laboratório, recipientes, aparelhos, balança, suportes e outras coisas que não estavam mais sendo usadas, e ele trouxe para que eu use no meu laboratório! Vidros antigos, de uma farmácia que era do seu pai. Trouxe também uma pia, porque “um bom laboratório precisa de uma pia”. Pia novinha, de inox, que estava guardada lá, e ele ainda comprou torneira e encanamento, além de azulejos para forrar a bancada. Todas essas coisas ainda não estavam planejadas para a obra, e depois de voltarmos a estudar os projetos por um tempo, tudo se resolveu, e as obras continuaram com essas mudanças.

Até dia 24 de abril | Instalação hidráulica e pintura

Usando as tintas que tínhamos guardadas em casa de outras reformas, e alguns corantes, fiz o azul e o marronzinho, que acabaram combinando com a cor dos canos de água. Ficou bem legal!

E a água, puxada direto da caixa. Agora tenho um registro, uma torneira e até um sifão!

Até 05 de maio | Instalação elétrica

Fios, lâmpadas, calhinhas,… Luz!

Até hoje | Arrumação!

Colocando tudo no lugar. E sim, naquele espacinho pequeno coube a bancada, o armário e tem lugar até para uma cadeira (que ainda não foi adquirida). Aos poucos organizando tudo. Colocando os produtos em pó em vidros, etiquetando e limpando, catalogando as infusões, listando os produtos que devem ser usados em breve…

Vai um tempinho ainda até tudo ficar 100%. Falta a pintura por fora, terminar de colocar os azulejos na bancada (falta a máquina de cortar as peças), fazer uma cortina de plástico grosso pra ficar do lado de fora dos tijolinhos (porque agora está ficando frio que dói, e o vento é cruel). Mas já está lindo! E pra trabalhar será ótimo!

Agradecimentos à mãe, que incentivou a construção e minha saída do outro trabalho; ao Kiko que me trouxe vários apetrechos pro laboratório e um brilho no olho de ver as coisas sendo usadas; ao Yuri, primeiro acionista da empresa; aos amigos pessoais e virtuais; e especialmente ao meu pai, que foi fundamental, e trabalhou mais do que eu nesse laboratório.

Muito obrigada.

E agora, vou pro trabalho. =)


E lá vamos nós…

22 jun

Oi!
Cris de blog novo…

Faz um bom tempo que estava com essa vontade de escrever um blog, de ter um espaço na internet onde eu possa me expressar, mostrar os meus pensamentos, as minhas coisas. O problema é que são muitas coisas.

Aí não sabia como definir o tema do blog, difícil escolher um assunto só. Tenho tanta coisa pra falar! Por exemplo:  Sou formada em publicidade, e tento entender o porquê de eu gostar tanto da profissão, mesmo ela sendo tão “fria e calculista”, sem ter almejo a um bem maior, sem grandes preocupações sociais. Esse é um tema que gostaria de discutir.

Outra coisa seria a arte de viver bem. As práticas sustentáveis, as atividades que fazem bem para o corpo e pra alma… E aí entram os cosméticos naturais, que estou descobrindo, inventando, aprendendo. Sabonetes orgânicos, creminhos, esfoliantes, pasta de dente, e mais tanta coisa… Os óleo essenciais, a fabricação de perfumes, os incensos…

Poderia falar de música e literatura, que são um prazer. Poderia relatar e dramatizar os sonhos doidos que tenho às vezes…

Mas se eu escolhesse um assunto apenas, os outros todos ficariam de lado, e logo estariam enchendo o saco na minha mente, querendo espaço pra aparecer…
Então resolvi que vou falar de tudo isso. Geminiana que sou, multifacetada, que não consegue ficar parada e fazer uma coisa só, o blog será um reflexo disso. Por esse motivo as Crises, todas essas que me formam.


😉