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Louro, lourinho.

14 set
alepo

Sabão de Alepo em processo de cura

A inspiração é no sabão de Alepo, usado desde a antiguidade, quase que como um remédio para problemas de pele. Ele é totalmente natural e sua história começou em Alepo, na Síria, há mais de dois mil anos. A receita ancestral tem passado de geração em geração, sem ter sofrido alterações.

O Sabão de Alepo precisa de aproximadamente nove meses, para secar ao ar livre, em grandes extensões. Durante esse tempo o sabão passa naturalmente da cor verde inicial, ao amarelo esverdeado, mas por dentro, no interior, conserva o verde original e intenso. Esse sabão é considerado o pai de todos os tipos de sabão, diz-se que foi a partir do sabão de Alepo que surgiram outras formulas e composições.

Bom, pensando nesse sabão, e sem ter os ingredientes exatos para tentar reproduzi-lo, resolvi improvisar. Há mais de um ano achei uma árvore de louro em um sítio, e fiz infusão de folhas frescas em azeite de oliva. Achei também baguinhas de louro, que não são as mesmas das quais se faz o óleo de louro, são mais parecidas com brotinhos, mas fiz uma infusão delas também.

O sabão original é produzido à base de azeite de oliva e óleo de bagas de louro, que não aparece por esses lados do mundo.  Já o meu sabão é com azeites infusos, impregnados de louro. E um luxinho, óleo essencial de louro, um presente especial que tenho guardado a chave.

Fiz duas partidas:

  • Cold process

Esse sabãozinho foi feito do mesmo jeito que eu sempre faço, com os óleos amornados, praticamente a frio. Usei só os óleos infusos de oliva para a saponificação. E no incremento, manteiga de cacau e o óleo de louro. Ficou um sonho!

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  Agora é só esperar uns meses até ele ficar pronto de verdade… Ai, ansiedade.

  • Hot process

Esse outro sabão foi feito de um jeito diferente. Depois de atingido o traço (que é o ponto onde eu daria o trabalho por terminado e colocaria a massa na forma) ele vai pro forno. Sim, no forno!

Pense no medo da pessoa, primeira experiência com a técnica, e logo com esse óleo infuso que demorou tanto tempo para ficar pronto!

Mas deu tudo certo, ficou bem bonito. E o melhor dessa técnica, ele fica pronto na hora (não precisa daquela cura de meses para estabilizar o pH), e o aroma fica muito mais forte, porque o sabão já está pronto quando se adiciona os OEs. A aparência dele é mais rústica, achei lindo!

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Fiz esse sabão com o óleo de oliva infuso com louro e óleo de palmiste, que também é especial, veio de um cara de alma bonita que não está mais por aqui.

A perfumação foi com o OE de louro e de copaíba. Cheiro de mato no tempo frio que me lembrou Urubici, a cidade do meu pai, na Serra aqui de Santa Catarina.

Ah, há muito tempo eu não fazia sabão-sabonete assim, com tanto esmero. Sempre há o que melhorar, mas gostei muito, muito deles. Tô bem feliz com minhas produções.

E a próxima infusão será com folhas de louro secas… Um anjinho soprou pra mim que pode ser ainda melhor…