Protegendo do sol – ou não

O assunto é protetor solar.

Eu sempre fui curiosa, e há muito tempo tenho o hábito de olhar as letrinas pequenas dos rótulos de tudo que me cai na mão. Comida industrializada, cosméticos, produtos de limpeza. Adoro tentar decifrar aqueles palavrões nos nomes dos ingredientes, e entender como as coisas funcionam, qual o princípio ativo, qual a substância que dá determinada textura, determinada cor. E essa mania aumentou depois que comecei a faculdade de química, quando passei a conhecer e manipular algumas daquelas substâncias-palavrão.

Entre os cosméticos que já andei espiando, um dos que mais me intrigam é o protetor solar, e isso já antes de ler o rótulo. Ele é sempre tão caro, tão cheio de mistérios. Por um lado é super-recomendado, e por outro, mal-falado, com histórias de que pode provocar danos à pele, de que não é recomendado para crianças… E , como é um cosmético que a minha geração adotou como sinônimo de saúde, e todos temos tanto contato com ele, resolvi estudar mais sobre isso.

Fique atentoo

Bom, vamos lá. Quando a gente começa a pesquisar sobre os protetores, a primeira grande informação é que existe a diferença entre os protetores solares químicos e os físicos. Vamos a elas:

– O filtro solar físico atua como uma barreira de proteção na pele, que reflete os raios de sol, e por isso é também chamado de Bloqueador Solar. Normalmente os minerais óxido de zinco e dióxido de titânio são o princípio ativo desse sistema de proteção. Como não são absorvidos pela pele, a possibilidade de alergias é menor, e esse tipo de protetor pode ser indicado para gestantes, bebês e pessoas com pele sensível.

O filtro físico é uma maravilha, e muito usado fora do Brasil. Porém aqui a popularidade deles não é muito boa. Isso porque quando começou a ser produzido, por ser muito aderente e esbranquiçado, o filtro deixava as pessoas parecendo fantasminhas. Então, com o advento do filtro químico, todos migraram para ele. Bom, nos últimos tempos com a nova geração de filtros físicos, as coisas estão mudando. Agora coloca-se na composição o óxido de ferro, ou algum outro colorante com cor de pele, e assim usa-se o protetor também como base leve, os chamados BB creams.

– Já os filtros químicos são formados geralmente por substâncias orgânicas. A pele absorve essas substâncias, e as substâncias absorvem a radiação ultravioleta, transformando-a em um tipo de radiação menos nociva para a pele.

Quanto aos protetores químicos, existem alguns componentes que já a algum tempo estão sendo alvos de pesquisa por haver fortes indícios de que causam danos bem sérios à saúde. Disfunções hormonais, mutação de células, alergias profundas, geração de radicais livres são alguns dos  efeitos causados por eles, segundo pesquisas muito bem fundamentadas, de órgãos ligados a pesquisas científicas sobre saúde. Um resumo disso, com vários links interessantes, aqui.

quimico fisico

E, gente, a maioria dos protetores que existem aqui no Brasil é formada por protetores químicos, ou uma mistura entre químicos e físicos. Olha, fiquei realmente com medo. Já a algum tempo ouço falar de uns malefícios que o protetor solar pode causar, mas não imaginava que era tanto. E são muitas pesquisas que comprovam isso, não é apenas um instituto de respeito que publicou. Imagine, o filtro químico precisa ser absorvido pela pele, e então estando lá dentro da célula, ele absorve a radiação, e transforma ela em algo menos nocivo. A reação ocorre dentro das células! E a chance de ocorrer um erro no meio desse trajeto existe, claro.

Bom, outra coisa que descobri é sobre fator de proteção solar. Primeiro a explicação: O FPS é a unidade utilizada para medir o grau de proteção que um filtro solar apresenta contra as radiações UVB e é determinado a partir de um cálculo que inclui os tempos mínimos necessários para detectar queimaduras na pele (eritemas) com e sem proteção. Funciona assim: Por exemplo, se minha pele aceita ficar 6 minutos no sol sem queimar, e eu uso um filtro solar de FPS 20, multiplicando 6×20, tenho 120, que é o número de minutos que eu estarei protegida do sol usando esse protetor. Mas não se baseie totalmente nisso. Temos o hábito de usar muito menos protetor do que o recomendado, o que não deixa a pele com toda a proteção que o filtro proporciona (a recomendação é de passar o equivalente a uma colher de chá no rosto, e a uma xícara de cafezinho no corpo).

Bom, descobri que para fatores acima de 30, pouco muda na porcentagem de proteção efetiva. Segundo o Food and Drug Administration (FDA) – órgão norte-americano que fiscaliza medicamentos e alimentos – um FPS 30, aplicado corretamente, oferece quase 96% de proteção.  E acima disso, a proteção extra é mínima. Um FPS 50 irá oferecer 98%, e o 100, 99%. E quanto maior o fator de proteção, mais pesada é a formulação, maior a quantidade daqueles componentes que falei acima. Maior o preço também. É de se pensar.

E agora faz sentido a recomendação do dermatologista da minha mãe, que falou para ela não aumentar o FPS do protetor que ela usa, mesmo após a descoberta de um melanoma. De repente não é sempre a falta de proteção solar que causa  câncer de pele…

Badger-spf-30-chart

Há também a diferença entre a proteção contra raios UVA e UVB. A radiação UVA é a responsável pelo bronzeado e, apesar de não causar queimadura imediata e vermelhidão, como a UVB, penetra mais profundamente na pele. E ao contrário da UVB (que é mais intensa entre 10h e 16h), a radiação UVA é constante durante todo o dia e tem o poder de atravessar vidros (de automóveis, janelas…). Já a UVB é quem estimula a produção de melanina e de vitamina D pelo organismo, fatores positivos. E a UVB ainda induz o aparecimento de pintas escuras e é a responsável pelas queimaduras que deixam a pele vermelha após longos períodos de exposição. Porém, ambas causam o envelhecimento precoce da pele e câncer nesse órgão. Então, ao comprar protetores solares químicos (99% do que existe no mercado brasileiro) é necessário prestar atenção nos dois graus de proteção. Desde 2012, no Brasil, a ANVISA determina que o grau de proteção UVA deve ser de pelo menos 1/3 do FPS UVB (que normalmente é o que aparece em destaque no rótulo).

Sunscreen-ProductsHá também a radiação UVC, que apesar de bem danosa ao organismo, é completamente filtrada pela camada de ozônio. Mais um motivo para cuidarmos do nosso planeta. Aqui vale lembrar que a radiação UVB está aumentando na superfície da Terra, e isso por causa da diminuição da camada de ozônio.

O estudo foi bem esclarecedor, e minhas descobertas me preocuparam bastante. Não sei se estou preocupada a toa, se fiquei impressionada demais com as coisas que encontrei nessa pesquisa. Mas o filtro solar químico é um artigo que vai sair da minha listinha de cosméticos. Estou planejando um substituto, mas isso já é outro assunto.

Bom, esse post não é uma campanha pela abolição do uso de protetor solar, apenas uma descoberta pessoal que eu quero dividir. Espero que tenha sido útil.

Beijinhos,

Cris.

Alguns sites que visitei para escrever: abcdasaúde, ecycle, beleza&saúde, significados, Química Nova.

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Estudos dos Óleos Essenciais – Fichas, fichas, FICHAS!

homepage-main-02Há alguns anos tenho contato cada vez mais estreito com os óleos essenciais (OEs). E venho aos poucos adquirindo novos OEs e estudando sobre eles. Mas não sou uma pessoa organizada para documentar todo esse estudo e tê-lo à disposição quando preciso.

Uma pessoa especial me falou há muito tempo da necessidade de conhecer bem os OEs ao usá-los. E depois vi que vários (se não todos) perfumistas estudam os óleos essenciais através de fichas. Conhecer todos os aspectos, desde a planta, onde e de que forma ela é cultivada, qual o processo de produção do OE, aspectos de aromaterapia, perfumaria, culinária, entre outras coisas. É necessário se munir de todas as informações possíveis, e ter em mãos tudo isso na hora de usar o óleo, ou mesmo de fazer algum projeto com ele (o que fica muito mais fácil quando já se sabe as notas olfativas, as combinações mais harmoniosas, os benefícios dos aromas, etc.).

A ideia, então, é organizar da melhor forma possível os estudos dos OEs. E pra isso, deve-se fazer uma série de fichas, uma para cada frasquinho de OE que se venha a adquirir. Pra cada frasco! Não pra cada espécie. Porque mesmo que eu tenha 2 frascos de OE de pachouli, por exemplo, eles podem ter muitas diferenças: Podem ser cultivados em países diferentes, podem ser frescos ou envelhecidos, serem de marcas diferentes (e há de se ter o cuidado de analisar muito bem a confiabilidade da marca, porque existe muito OE adulterado e de má qualidade pro aí)… nossa, são muitas possiblidades pra cada frasquinho. E daí, tendo a ficha como base, procura-se todas as informações para preenchê-la.

E como eu quero desenvover o meu estudo de óleos essenciais para várias finalidades distintas, minhas fichas de OE ficam cada vez com mais itens. Eu estudo a vertente da perfumística, de aromaterapia,  pequenas misturas para perfumar cosméticos, a parte do cultivo da planta e da destilação (porque agora estou trabalhando com destilação de OE!! =)), e adoro qualquer outra curiosidade que encontro sobre esse assunto. E tudo vai deixando a ficha mais completa.

Bom, aqui vai o meu modelo de ficha, o que funciona pra mim. Como os interesses nos OEs são os mais variados, há de se adaptar a ficha para cada necessidade.

Modelo de ficha de óleo essencial

E outra dica. Esses são alguns sites onde faço boas pequisas para as minhas fichas:

http://www.oleosessenciais.org

www.aromasessenciais.com.br

www.quinari.com.br

Olha, tenho a dizer que eu não imaginava que as fichas eram tão uteis, até tê-las todas pra organizar minha pequena coleção de OEs. Consulto elas em cada novo projeto que invento, um creminho pra pés, um óleo para massagem, um cheirinho para estimular os estudos; e é ótimo ter todas as informações ali disponíveis na hora da criação.

E é incrível ser organizada. Aos poucos vou aprendendo (hahaha).

E vocês, usam óleos essenciais, fazem alguma organização das informações sobre eles?  Vamos dividir!?

Beijos!

Cris

Medindo pH com repolho.

Vim mostrar um teste que fiz. Há um tempo já tinha curiosidade para testar um indicativo de pH caseiro, e hoje foi o dia.

O pH, potencial de hidrogênio iônico, é um índice que mostra a acidez, neutralidade ou alcalinidade de um meio qualquer. A escala do pH pode variar de 0 até 14, sendo que quanto menor o índice do pH de uma substância, mais ácida esta substância será.

Na fabricação de sabonetes artesanais desde a base, é fundamental controlar o pH, para sabermos se ele está ou não próprio para ser aplicado sobre a pele. O pH da pele humana de um adulto saudável fica entre 4,5 e 6. Os sabonetes feitos por cold process, o processo que utilizo, são normalmente alcalinos, então, quanto mais baixo, próximo da neutralidade, melhor.

A matéria-prima do experimento

O repolho roxo contém antocianinas, que são pigmentos responsáveis por uma variedade de cores de frutas, flores e folhas que variam do vermelho ao azul em função do pH da solução em que se encontram.

Graças às propriedades das antocianinas, é possível utilizar um extrato de repolho roxo como indicador do pH (ou seja, da acidez ou alcalinidade) de uma solução.

Para isso é só ferver um litro de água em uma panela. Quando estiver borbulhando, colocar pouco menos de uma xícara de repolho roxo picado grosseiramente, desligar o fogo, tampar e deixar voltar à temperatura ambiente. Depois, coar e guardar em um frasco limpo com tampa.

A tabela de comparação da solução de repolho roxo é essa:

pH da solução         Cor
1 – 5                        vermelho / rosa
6 – 7                        violeta
8 – 10                      azul
11 – 12                     verde
13                              amarelo

Coloca-se água limpa com espuma do sabão do qual se quer saber o pH em um becker de vidro, com a mesma quantidade do “chá de repolho roxo”. Instantaneamente a mistura muda de cor, e é só comparar com a tabela acima. Um cold bem curado, fica com pH entre 7,5 e 9, deve dar uma corzinha azul, dificilmente chega no lilás, pela sua composição intrínseca.

Meus testes:

Sutis (?) diferenças de cor

Obs. Tirei todas as fotos com a mesma luz, na mesma posição. Mas mesmo assim algumas cores não ficaram fiéis. Por isso as legendas das cores.

1 | Azul-Esverdeado. Sabonete que não deu muito certo em seus tempos áureos, e virou sabão líquido para lavar louça. Tem uns 6 meses já, e o pH ainda  não está certo. Resultado de uma receita mal elaborada.

2 | Verde-Vivo. Sabão feito há 5 dias. Dentro do previsto, só fica adequado para uso depois de aproximadamente um mês de cura.

3 | Azulzinho. Sabonete líquido feito só com azeite de oliva, tem quase um ano já.

4 | Azul-Arroxeado. Sabão super-delicado para a pele, feito há cerca de um ano também, com 70% azeite de oliva.

5 | Azul-Arroxeado. Sabão Ceci, postado aqui.

6 | Verdinho levemente azulado. Lux.

7 | Verdinho. Johnson.

8 | Amarelão.  Não, não é sabão. É lixívia, água+soda. Pra testar, ver se funciona mesmo. Deu certo.

9 | Roxinho lindo. Shampoo Elseve.

10 | Roxão. Esse é o chá de repolho.

E quem faz sabão, aposto que pensou em como usar essas cores nas criações… Os corantes naturais, essa é uma outra história.

Bom, não tive como comparar esses resultados, não tenho aqui no momento outra forma de testar o pH. Minha surpresa foi com os sabonetes industriais, que imaginei que tivessem o pH bem menor.

De qualquer forma, advirto que isso é apenas um teste caseiro, sem intenção alguma de ser usado tecnicamente, ou de confrontar quem quer que seja. E não irei usar somente esse método para medir o pH das minhas produções, vou precisar fazer muitos testes ainda antes disso.

Mas seria bem legal, teria bem a ver com o intuito dos produtos que faço, usar a natureza que está perto de mim, cuidar da sustentabilidade. Seria bem interessante, mesmo. Retomaremos adiante.

Obrigada pela atenção, e deixe sua contribuição.

Fiz pesquisas aqui:

http://saponiciencia.wordpress.com/2008/10/05/indicador-caseiro-de-ph/

web.ccead.puc-rio.br/condigital/video/…/cosmeticos/…/guiaDidatico.pdf