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Nascido das cinzas – Sabão ancestral

5 ago

Olá! Vim hoje falar da gratificante experiência que tive ao fazer o antigo sabão de cinzas.

Há alguns anos tomei conhecimento da existência desse sabão feito somente com cinzas, gorduras e água. Sim, só isso. E funciona!

Primeiro um pouquinho de história.

Esse é o primogênito, a primeira espécie de sabão que existiu. E, como muita coisa nesse mundo, ele foi feito por acaso. Algumas histórias contam que os humanos se aperceberam dessa criação em altares de adoração, outras histórias falam que o “descobrimento” do sabão remete ao início do costume de ingerir carne. Bom, nas duas versões, o princípio foi o mesmo: a gordura de animais mortos (em sacrifício ou para saciar a fome) se misturava às cinzas das fogueiras e acabava formando uma pasta com poder de limpar os cabelos, os utensílios, e tudo mais que estivesse gorduroso.

Apesar dos incontáveis anos, e das outras tantas técnicas de saboaria, os sabões pretos feitos de cinza ainda hoje são utilizados, e muito conhecidos por sua incrível capacidade de fazer bem pra pele.

O clássico sabão preto marroquino, usado em spas por todo o mundo é feito a partir de cinzas, azeite de oliva e da própria azeitona esmagada. É considerado um esfoliante inigualável. Vem em potinhos, e tem a textura pastosa.

Sabão marroquino

Sabão marroquino comercial

Uma pasta que quase faz milagres. No Marrocos ainda se encontra esse sabão feito de forma extremamente artesanal, e vendido à granel nas feiras.

Sabão marroquino na feira

Sabão marroquino na feira

Há também o sabão preto africano, que é feito com óleo de palma, palmiste, coco, mel e cinzas de palmeira, bananeira e de casca de cacau. Esse sabão possui ferro e vitaminas A & E por essa composição e é usado também como shampoo e como máscara para o rosto: um item de beleza!

Sabão preto africano

Sabão preto africano

Independente de onde venha, o sabão feito a partir de cinzas é boníssimo para a pele. Extremamente suave. Incomparável. A cinza é o componente alcalino que produz a saponificação das gorduras, a base forte necessária para o processo. Ela faz a função que vemos normalmente exercida pelo NaOH, a soda cáustica. Essa substituição torna o sabão muito mais delicado, beneficiando muito a pele.

Agora, a minha história com esse sabão.

Pesquisei bastante, vi que as formulas são um tanto incertas, e li várias coisas divergentes sobre a manufatura. Com isso, e com dicas de quem já fez, tirei algumas conclusões e me aventurei, ainda na incerteza.

A primeira coisa que se descobre é que não existe receita! Talvez por isso eu tenha demorado uns quatro anos para pôr em prática isso.  Tá, não existe receita porque cada cinza é diferente. Cada tipo de madeira, ao ser queimada, produz cinza com uma certa porcentagem de basicidade, que vai afetar na saponificação.

É bem importante que a cinza escolhida seja confiável, de madeira sem nenhum tipo de pintura ou tratamento, e sem cinzas de outras coisas (muita gente aproveita o fogo pra queimar lixo, se liguem!). Tenho a sorte de conhecer uma pessoa sensacional, que vive num sitiozinho, planta tudo orgânico e queima só madeira de poda das árvores no fogão à lenha. Dona AnA, beijão pra senhora!

O que fiz foi coar a cinza em um pano grosso, como se coa café, mas com água em temperatura ambiente. Há quem diga que se deve fazer furos num balde, socar a cinza lá e deixar a água “lavar”, há também a técnica de ferver a cinza com água e simplesmente separar o líquido depois. Bom, escolhi aquele jeito porque me pareceu o mais prático.

Decoada - de coada

Decoada – de coada

A essa água se dá o nome de decoada, ela é rica em hidróxido de potássio, a base forte necessária para fazer o sabão. Como falei, não há receita, mas para terem uma ideia eu obtive 9L de água de decoada a partir de 1,5kg de cinzas.

O próximo passo é o fogão. E deve-se ter um adicional de paciência. Nessa receita usei 250g de gorduras: 150g de óleo de palmiste e 100 de manteiga de cupuaçu. Sabendo que esse sabão não iria ficar tão duro nem não espumoso quanto os sabões feitos com soda, quis aumentar um pouco essas características com a escolha da gordura. Apesar de que essas não são características que definem um bom sabão! Falarei disso mais tarde.

Nem tudo que parece brigadeiro é.

Nem tudo que parece brigadeiro é.

Bom, resumindo: coloca-se a gordura em uma panela (que não seja de alumínio) no fogo e vai se adicionando aos poucos a água decoada. Usei os 9L que consegui e teria colocado mais se houvesse, porque não estou bem certa de que foi suficiente.

O ponto se define pegando um pouquinho para lavar as mãos. Se não tiver pronto ainda vai se comportar como margarina, só vai melecar. Se tiver pronto, vai promover uma limpeza bem suave, com poucas espuma, mas uma sensação bem boa. E é isso. Simples assim.

O detalhe é que, no meu caso, a tal panela ficou 20h no fogo. Mas ao menos dá pra desligar e continuar no dia seguinte. Aqui foram 4 dias em função. Foram três para preparar a decoada e cozinhar e o quarto dia apenas para perfumar e colocar nas forminhas.

Forminhas provisórias cheias

Forminhas provisórias cheias

Bom, agora é esperar alguns meses para que esse sabão seque e possa ser usado como sabonete em barra. Também se pode usar assim, em pasta, sem problemas. Hoje recebi uma dica bem legal: Como esse sabão é danado para secar, é preferível que fique em formas pequenas e de madeira, ou outro material poroso, para facilitar a secagem.

Olha, eu sou uma pessoa bem paciente, mas confesso que foi difícil. A forma de fazer é super simples, mas bem trabalhosa. A decoada demora, e faz muita sujeira. No cozimento, se botar muita água passa por cima da borda da panela, se botar pouca, queima. Na hora de enformar é uma melaceira, porque a massa fica grudenta, e é difícil de entrar na forma.

Apesar de tudo, é extremamente gratificante! Ver que de simples cinzas se faz um sabonete maravilhoso faz valer a pena o esforço. E esse sabonete é realmente especial. Tive o privilégio de conhecer o sabão de cinza através de mãos habilidosas e pude conhecer a suavidade da limpeza que ele promove. Dona AnE, beijão pra senhora!

Bom, acho que deu pra perceber o quanto é especial esse sabão. Então, por favor, preste atenção aos detalhes ao botar isso em prática. Obtenha cinza de confiança, limpinha. Escolha bons óleos, de qualidade. Não use NaOH para acelerar o processo, isso destrói a característica primordial do sabão. E perfume com óleos essenciais ou compostos totalmente naturais, de procedência garantida; graça nenhuma jogar uma essência sintética fedorenta num sabão especial assim, né?

Fiz o sabão no meu fogão normal de casa, à gás. Mas acredito que, tendo um fogão à lenha aceso no inverno para esquentar a casa (e já produzir cinza), e um tacho grande que possa ficar por ali, seja mais fácil e barato fazer esse sabão. Além de poder contar com as qualidades mágicas do fogão à lenha, que faz as melhores comidas, e deve também fazer o melhor sabão!

E por aí, não bateu a vontade de conhecer esse sabão fabuloso?

 

Algumas de minhas pesquisas para esse artiguinho foram aqui, aqui, aqui e aqui.

 

Protegendo do sol – ou não

3 fev

O assunto é protetor solar.

Eu sempre fui curiosa, e há muito tempo tenho o hábito de olhar as letrinas pequenas dos rótulos de tudo que me cai na mão. Comida industrializada, cosméticos, produtos de limpeza. Adoro tentar decifrar aqueles palavrões nos nomes dos ingredientes, e entender como as coisas funcionam, qual o princípio ativo, qual a substância que dá determinada textura, determinada cor. E essa mania aumentou depois que comecei a faculdade de química, quando passei a conhecer e manipular algumas daquelas substâncias-palavrão.

Entre os cosméticos que já andei espiando, um dos que mais me intrigam é o protetor solar, e isso já antes de ler o rótulo. Ele é sempre tão caro, tão cheio de mistérios. Por um lado é super-recomendado, e por outro, mal-falado, com histórias de que pode provocar danos à pele, de que não é recomendado para crianças… E , como é um cosmético que a minha geração adotou como sinônimo de saúde, e todos temos tanto contato com ele, resolvi estudar mais sobre isso.

Fique atentoo

Bom, vamos lá. Quando a gente começa a pesquisar sobre os protetores, a primeira grande informação é que existe a diferença entre os protetores solares químicos e os físicos. Vamos a elas:

– O filtro solar físico atua como uma barreira de proteção na pele, que reflete os raios de sol, e por isso é também chamado de Bloqueador Solar. Normalmente os minerais óxido de zinco e dióxido de titânio são o princípio ativo desse sistema de proteção. Como não são absorvidos pela pele, a possibilidade de alergias é menor, e esse tipo de protetor pode ser indicado para gestantes, bebês e pessoas com pele sensível.

O filtro físico é uma maravilha, e muito usado fora do Brasil. Porém aqui a popularidade deles não é muito boa. Isso porque quando começou a ser produzido, por ser muito aderente e esbranquiçado, o filtro deixava as pessoas parecendo fantasminhas. Então, com o advento do filtro químico, todos migraram para ele. Bom, nos últimos tempos com a nova geração de filtros físicos, as coisas estão mudando. Agora coloca-se na composição o óxido de ferro, ou algum outro colorante com cor de pele, e assim usa-se o protetor também como base leve, os chamados BB creams.

– Já os filtros químicos são formados geralmente por substâncias orgânicas. A pele absorve essas substâncias, e as substâncias absorvem a radiação ultravioleta, transformando-a em um tipo de radiação menos nociva para a pele.

Quanto aos protetores químicos, existem alguns componentes que já a algum tempo estão sendo alvos de pesquisa por haver fortes indícios de que causam danos bem sérios à saúde. Disfunções hormonais, mutação de células, alergias profundas, geração de radicais livres são alguns dos  efeitos causados por eles, segundo pesquisas muito bem fundamentadas, de órgãos ligados a pesquisas científicas sobre saúde. Um resumo disso, com vários links interessantes, aqui.

quimico fisico

E, gente, a maioria dos protetores que existem aqui no Brasil é formada por protetores químicos, ou uma mistura entre químicos e físicos. Olha, fiquei realmente com medo. Já a algum tempo ouço falar de uns malefícios que o protetor solar pode causar, mas não imaginava que era tanto. E são muitas pesquisas que comprovam isso, não é apenas um instituto de respeito que publicou. Imagine, o filtro químico precisa ser absorvido pela pele, e então estando lá dentro da célula, ele absorve a radiação, e transforma ela em algo menos nocivo. A reação ocorre dentro das células! E a chance de ocorrer um erro no meio desse trajeto existe, claro.

Bom, outra coisa que descobri é sobre fator de proteção solar. Primeiro a explicação: O FPS é a unidade utilizada para medir o grau de proteção que um filtro solar apresenta contra as radiações UVB e é determinado a partir de um cálculo que inclui os tempos mínimos necessários para detectar queimaduras na pele (eritemas) com e sem proteção. Funciona assim: Por exemplo, se minha pele aceita ficar 6 minutos no sol sem queimar, e eu uso um filtro solar de FPS 20, multiplicando 6×20, tenho 120, que é o número de minutos que eu estarei protegida do sol usando esse protetor. Mas não se baseie totalmente nisso. Temos o hábito de usar muito menos protetor do que o recomendado, o que não deixa a pele com toda a proteção que o filtro proporciona (a recomendação é de passar o equivalente a uma colher de chá no rosto, e a uma xícara de cafezinho no corpo).

Bom, descobri que para fatores acima de 30, pouco muda na porcentagem de proteção efetiva. Segundo o Food and Drug Administration (FDA) – órgão norte-americano que fiscaliza medicamentos e alimentos – um FPS 30, aplicado corretamente, oferece quase 96% de proteção.  E acima disso, a proteção extra é mínima. Um FPS 50 irá oferecer 98%, e o 100, 99%. E quanto maior o fator de proteção, mais pesada é a formulação, maior a quantidade daqueles componentes que falei acima. Maior o preço também. É de se pensar.

E agora faz sentido a recomendação do dermatologista da minha mãe, que falou para ela não aumentar o FPS do protetor que ela usa, mesmo após a descoberta de um melanoma. De repente não é sempre a falta de proteção solar que causa  câncer de pele…

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Há também a diferença entre a proteção contra raios UVA e UVB. A radiação UVA é a responsável pelo bronzeado e, apesar de não causar queimadura imediata e vermelhidão, como a UVB, penetra mais profundamente na pele. E ao contrário da UVB (que é mais intensa entre 10h e 16h), a radiação UVA é constante durante todo o dia e tem o poder de atravessar vidros (de automóveis, janelas…). Já a UVB é quem estimula a produção de melanina e de vitamina D pelo organismo, fatores positivos. E a UVB ainda induz o aparecimento de pintas escuras e é a responsável pelas queimaduras que deixam a pele vermelha após longos períodos de exposição. Porém, ambas causam o envelhecimento precoce da pele e câncer nesse órgão. Então, ao comprar protetores solares químicos (99% do que existe no mercado brasileiro) é necessário prestar atenção nos dois graus de proteção. Desde 2012, no Brasil, a ANVISA determina que o grau de proteção UVA deve ser de pelo menos 1/3 do FPS UVB (que normalmente é o que aparece em destaque no rótulo).

Sunscreen-ProductsHá também a radiação UVC, que apesar de bem danosa ao organismo, é completamente filtrada pela camada de ozônio. Mais um motivo para cuidarmos do nosso planeta. Aqui vale lembrar que a radiação UVB está aumentando na superfície da Terra, e isso por causa da diminuição da camada de ozônio.

O estudo foi bem esclarecedor, e minhas descobertas me preocuparam bastante. Não sei se estou preocupada a toa, se fiquei impressionada demais com as coisas que encontrei nessa pesquisa. Mas o filtro solar químico é um artigo que vai sair da minha listinha de cosméticos. Estou planejando um substituto, mas isso já é outro assunto.

Bom, esse post não é uma campanha pela abolição do uso de protetor solar, apenas uma descoberta pessoal que eu quero dividir. Espero que tenha sido útil.

Beijinhos,

Cris.

Alguns sites que visitei para escrever: abcdasaúde, ecycle, beleza&saúde, significados, Química Nova.

Estudos dos Óleos Essenciais – Fichas, fichas, FICHAS!

19 jan

homepage-main-02Pra começar bem o ano, vamos organizando as coisas. Não tenho muita paciência para as arrumações, mas às vezes consigo. E com os meus preciosos óleos, estou tentando manter isso.

Há alguns anos tenho contato cada vez mais estreito com os óleos essenciais (OEs). E venho aos poucos adquirindo novos OEs e estudando sobre eles. Mas não sou uma pessoa organizada para documentar todo esse estudo e tê-lo à disposição quando preciso.

Uma pessoa especial me falou há muito tempo da necessidade de conhecer bem os OEs ao usá-los. E depois vi que vários (se não todos) perfumistas estudam os óleos essenciais através de fichas. Conhecer todos os aspectos, desde a planta, onde e de que forma ela é cultivada, qual o processo de produção do OE, aspectos de aromaterapia, perfumaria, culinária, entre outras coisas. É necessário se munir de todas as informações possíveis, e ter em mãos tudo isso na hora de usar o óleo, ou mesmo de fazer algum projeto com ele (o que fica muito mais fácil quando já se sabe as notas olfativas, as combinações mais harmoniosas, os benefícios dos aromas, etc.).

A ideia, então, é organizar da melhor forma possível os estudos dos OEs. E pra isso, deve-se fazer uma série de fichas, uma para cada frasquinho de OE que se venha a adquirir. Pra cada frasco! Não pra cada espécie. Porque mesmo que eu tenha 2 frascos de OE de pachouli, por exemplo, eles podem ter muitas diferenças: Podem ser cultivados em países diferentes, podem ser frescos ou envelhecidos, serem de marcas diferentes (e há de se ter o cuidado de analisar muito bem a confiabilidade da marca, porque existe muito OE adulterado e de má qualidade pro aí)… nossa, são muitas possiblidades pra cada frasquinho. E daí, tendo a ficha como base, procura-se todas as informações para preenchê-la.

E como eu quero desenvover o meu estudo de óleos essenciais para várias finalidades distintas, minhas fichas de OE ficam cada vez com mais itens. Eu estudo a vertente da perfumística, de aromaterapia,  pequenas misturas para perfumar cosméticos, a parte do cultivo da planta e da destilação (porque agora estou trabalhando com destilação de OE!! =)), e adoro qualquer outra curiosidade que encontro sobre esse assunto. E tudo vai deixando a ficha mais completa.

Bom, aqui vai o meu modelo de ficha, o que funciona pra mim. Como os interesses nos OEs são os mais variados, há de se adaptar a ficha para cada necessidade.

Modelo de ficha de óleo essencial

E outra dica. Esses são alguns sites onde faço boas pequisas para as minhas fichas:

http://www.oleosessenciais.org

www.aromasessenciais.com.br

www.quinari.com.br

Olha, tenho a dizer que eu não imaginava que as fichas eram tão uteis, até tê-las todas pra organizar minha pequena coleção de OEs. Consulto elas em cada novo projeto que invento, um creminho pra pés, um óleo para massagem, um cheirinho para estimular os estudos; e é ótimo ter todas as informações ali disponíveis na hora da criação.

E é incrível ser organizada. Aos poucos vou aprendendo (hahaha).

E voês, usam óleos essenciais, fazem alguma organização das informações sobre eles?  Vamos dividir!?

Beijos!

Cris

Louro, lourinho.

14 set
alepo

Sabão de Alepo em processo de cura

A inspiração é no sabão de Alepo, usado desde a antiguidade, quase que como um remédio para problemas de pele. Ele é totalmente natural e sua história começou em Alepo, na Síria, há mais de dois mil anos. A receita ancestral tem passado de geração em geração, sem ter sofrido alterações.

O Sabão de Alepo precisa de aproximadamente nove meses, para secar ao ar livre, em grandes extensões. Durante esse tempo o sabão passa naturalmente da cor verde inicial, ao amarelo esverdeado, mas por dentro, no interior, conserva o verde original e intenso. Esse sabão é considerado o pai de todos os tipos de sabão, diz-se que foi a partir do sabão de Alepo que surgiram outras formulas e composições.

Bom, pensando nesse sabão, e sem ter os ingredientes exatos para tentar reproduzi-lo, resolvi improvisar. Há mais de um ano achei uma árvore de louro em um sítio, e fiz infusão de folhas frescas em azeite de oliva. Achei também baguinhas de louro, que não são as mesmas das quais se faz o óleo de louro, são mais parecidas com brotinhos, mas fiz uma infusão delas também.

O sabão original é produzido à base de azeite de oliva e óleo de bagas de louro, que não aparece por esses lados do mundo.  Já o meu sabão é com azeites infusos, impregnados de louro. E um luxinho, óleo essencial de louro, um presente especial que tenho guardado a chave.

Fiz duas partidas:

  • Cold process

Esse sabãozinho foi feito do mesmo jeito que eu sempre faço, com os óleos amornados, praticamente a frio. Usei só os óleos infusos de oliva para a saponificação. E no incremento, manteiga de cacau e o óleo de louro. Ficou um sonho!

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  Agora é só esperar uns meses até ele ficar pronto de verdade… Ai, ansiedade.

  • Hot process

Esse outro sabão foi feito de um jeito diferente. Depois de atingido o traço (que é o ponto onde eu daria o trabalho por terminado e colocaria a massa na forma) ele vai pro forno. Sim, no forno!

Pense no medo da pessoa, primeira experiência com a técnica, e logo com esse óleo infuso que demorou tanto tempo para ficar pronto!

Mas deu tudo certo, ficou bem bonito. E o melhor dessa técnica, ele fica pronto na hora (não precisa daquela cura de meses para estabilizar o pH), e o aroma fica muito mais forte, porque o sabão já está pronto quando se adiciona os OEs. A aparência dele é mais rústica, achei lindo!

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Fiz esse sabão com o óleo de oliva infuso com louro e óleo de palmiste, que também é especial, veio de um cara de alma bonita que não está mais por aqui.

A perfumação foi com o OE de louro e de copaíba. Cheiro de mato no tempo frio que me lembrou Urubici, a cidade do meu pai, na Serra aqui de Santa Catarina.

Ah, há muito tempo eu não fazia sabão-sabonete assim, com tanto esmero. Sempre há o que melhorar, mas gostei muito, muito deles. Tô bem feliz com minhas produções.

E a próxima infusão será com folhas de louro secas… Um anjinho soprou pra mim que pode ser ainda melhor…

De volta

8 ago

Assim como em uma nova temporada de um programa, volto depois de muito tempo, pra contar outras histórias.

Primeiramente, venho contar o motivo da minha ausência: O fantástico mundo da química!

No começo do ano passado, época do meu último post aqui, comecei a faculdade de bacharelado em química, na UFSC. E daí o bicho pegou.

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Sim, a química é linda! Entender como as reações acontecem; conhecer os elementos que compõe cada produto, de um condicionador de cabelos industrializado a uma planta recém-colhida. Passei a compreender melhor o mundo, e isso é lindo.

Sim, a química é difícil! Nunca pensei que eu teria necessidade  e a capacidade de estudar tanto. Virar noites tentando compreender os cálculos, as físicas, e todas as subdivisões da química. É preciso perseverança e foco. E muito tempo disponível.

E tive que abrir mão do blog.

Mas acredito que a pior parte do curso já passou (assim espero). E agora terei mais tempo para me dedicar aos meu laboratorinho, minhas pesquisas sobre os cosméticos artesanais, e dividir aqui as coisas que aprendo.

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Produzi algumas coisas nesse meio-tempo, sim. Mas não consegui publicar aqui. Espero colocar as coisas em dia, e pôr em prática as ideias que vêm se formando na minha mente.

E resolvi mudar umas coisas no blog. 90% do conteúdo  era relacionado com os cosméticos artesanais, os óleos essenciais, saboaria. Realmente, dedico a maior parte do tempo dos meus estudos, e dos meus desenvolvimentos a essa área, os posts refletem isso. Então resolvi que o blog Das Crises agora falará exclusivamente sobre esse assunto, para acabar com a bagunça de ter alguns posts no meio do caminho sobre assuntos aleatórios.

Disso resultou que resolvi fazer outros blogs de assuntos específicos, e espero realmente que eu consiga alimentá-los com a regularidade necessária. Assunto pra escrever tenho de sobra.

Então, apresento a vocês meus novos blogs:

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Destino Francês – Aqui vou mostrar minhas descobertas na caminhada para realizar meu desejo de conhecer e entender como funcionam alguns lugares especiais nesse país que me encanta os pensamentos.

Façaobem

Permacultura e outras verduras – Amigos em busca de um lar, um sítio coletivo, onde todos se respeitem, e respeitem o mundo.

Se gostarem das ideias, por favor, sigam, comentem, curtam. Isso que alimenta a alma de quem escreve.

E agora, ao trabalho, que há muito a fotografar e escrever.

Repelente natural e artesanal

16 fev

Nos preparativos para o festival Psicodália que rola a partir de amanhã, e durante todo o carnaval, num sítio em Rio Negrinho, aqui em Sta. Catarina.

Há um tempo já estava querendo preparar um repelente, que é “levemente”necessário aqui onde moro. E também tinha pensado em deixar disponível pro pessoal do Psicodália, já que lá tem muito mato, água e, claro, mosquito.  Depois de alguns testes, findo então:

O Repelente Natural e Artesanal!

Com extrato de citronela e oleos essenciais de citronela, capim-limão e copaíba

Mesa de fabricação do rótulo do repelente natural e artesanal

O extrato de citronela foi feito com as folhas que eu mesma colhi, da planta que eu mesma plantei, e junto com os óleos essenciais, forma o “princípio ativo”do repelente. Os óleos essenciais foram cautelosamente estudados para que tivessem o efeito esperado pelo maior tempo possível, e sem agredir a pele. Óleos vegetais obtidos por prensagem a frio mantém boa parte das propriedades das plantas, e fazem muito mais bem para a pele (e para todo o corpo, quando ingeridos) do que o óleo refinado. Nessa receita os óleos vegetais trazem a hidratância necessária pra suprir o ressecamento que o álcool naturalmente provoca.

A composição do Repelente:

Extrato alcoolico de citronela

Extrato alcoolico de alecrim

Óleo vegetal prensado a frio de girassol

Óleo vegetal prensado a frio de avelã

Óleo essencial de citronela

Óleo essencial de capim-limão

Óleo essencial  de copaíba

Álcool de cereais

Água.

Atenção: Nunca aplique sobre o rosto (perigo de reações alérgicas) ou sobre a roupa (possibilidade de manchar).

Lembre-se de agitar antes do uso.

O repelente é eficaz ao usar sobre a pele ou em pequenos ambientes, como as barracas do acampamento. ^^

Se ficou com vontade de adquirir, estarei lá pelo Psicodália com eles à disposição, e após o feriado de carnaval, podemos conversar aqui pela internet.

Os frascos são plásticos cor de âmbar, com volume de 100ml, com válvula spray. E serão vendidos pelo preço de R$12,00.

E sim, o líquido é verde e tem aroma de citronela.

=)

O cheirinho do armário fechado, e sobre como combatê-lo

28 jan

Olá!!

Depois de um longo tempo, cá estou novamente.

Após boas doses de estudo, fiz o vestibular, e passei! Em março começo minha segunda graduação: Química. E se tudo correr como imagino, em 4 anos estarei formada (isso se não mudar pra Farmácia no meio do caminho. A dúvida ainda impera).
Então poderei atuar oficialmente nessa área. =)

Tenho feito algumas coisas no laboratorinho nesse tempo todo, mas faltou um tantinho de tempo pra organizar um bom post. Bem, vamos ao que vim.

Tirando o mofo dos armários!

Moro em uma casa que é um tanto úmida, não bate sol nos quartos por muito tempo durante o dia, e o mofo impera nos guarda-roupas. Há um bom tempo, minha mãe e eu viemos pensando em soluções para melhorar a situação, e criamos um plano de batalha, que começamos a colocar em prática essa semana.

Tudo começa tirando tudo de dentro do armário, deixando arejar bem, e colocando as peças possíveis (como gavetas e tábuas das prateleiras) no sol.
Então entra em cena um preparado feito há cerca de duas semanas: Um vinagre com ervas. Nada de muito difícil. Fiz assim:

  • Um vidro limpo com tampa bem vedada.
  • Ervas e temperos cheirosos (aqui entram chás e especiarias que te apeteçam, tudo que tenha cheiro bom e ajude no fator limpeza. O que colocares nessa infusão, além de mascarar um pouco o cheiro do vinagre, que não é lá essas coisas, vai ficar também no armário, o que o deixará já mais perfumoso e na maioria dos casos ajuda no combate aos fungos) – eu usei alecrim, hortelã, cravo, canela e citronela | Aprox. 1 xícara de chá ao todo
  • Vinagre comum | Meio litro (Coloque sempre depois das ervas e certifica-te que não há ervas acima do nível do vinagre, o que pode rançar a receita)
  • Óleo essencial de capim-limão e eucalipto (tea tree também é ótimo, ou qualquer outro OE cheirozinho que tenha qualidades anti-sépticas) | 10 a 15 gotas de cada

Pronto. Mistura bem, deixa num armário protegido do sol, e em cerca de duas semanas está no ponto para uso. Coa, coloca num vidro com válvula spray e vamos ao ataque!

Passe muito, muito bem em todo o interior do armário, gavetas, parte interna das portas, embaixo das prateleiras, tudo. Espere secar (essa fase pode ser auxiliada por um bom ventilador), e repita esse processo. O cheiro do vinagre sai assim que ele seca, fique tranquilo.
Quando estiver seco, coloque gavetas e prateleiras no lugar e arrume as roupas, ou o que você guarda no armário.

Agora vem a parte da manutenção, e aí entram aqueles famosos sachêzinhos. O esquema que vou mostrar aqui é com uma dupla de trouxinhas, com “recheios” diferentes, e funciona bem se feito desse jeito. É assim:

  • Sachê 1:

Faça uma mistura de especiarias da sua preferência. Eu usei canela, aniz-estrelado, alecrim, lavanda, hortelã, rosas e calêndula, Mesmo usando pouco, o aroma da canela se sobressaiu, cuide com ela.
\Imagem

Dependendo do que usar, o sachê irá emanar mais ou menos aroma. É uma questão de gosto pessoal, não esqueça que suas roupas ficarão com esse cheirinho. Caso suas ervas escolhidas resultem numa mistura sem muito cheiro, coloque umas gotinhas de um óleo essencial nas folhas. O clássico usado pra isso é lavanda, e fácil de encontrar. Penso em colocar OE depois de um tempo, quando o aroma das minhas especiarias não aparecer mais.

Imagem

Use de preferência um tecido de algodão e trama larga. Eu cortei esse no formato redondo, e resolvi o fechamento só com uma fitinha de cetim. Facinho, sem nada de costura ou colagem. Simples e bonitinho.

  • Sachê 2:

Giz escolar ou carvão vegetal, bem seco.
O mesmo tecido do outro sachê. Fecha e pronto.

Coloque um sachê em um dos cantos do armário, e o outro no extremo oposto. Nunca juntos! A ideia é a seguinte: O carvão e o giz puxam a umidade e tudo que tiver livre no ar, então além da umidade, ele vai puxar o aroma das especiarias do outro sachê. Se eles estiverem em cantos opostos, o aroma do primeiro sachê se desprende em direção ao giz/carvão, e nesse caminho passa por todas as suas roupas, deixando esse aroma por lá. Ótimo, não?

Dá pra usar esses parzinhos de sachê em cada gaveta e prateleira também, não precisa ser um par apenas por armário

Para revitalizar o sachê de ervas a cada semana dê leves apertadinhas para soltar mais aroma. E a cada dois meses, pingue algumas gotinhas de óleo essencial. (tudo é relativo…). E com o sachê de giz ou carvão, perceberás que ele vai ficando úmido. Quando isso acontecer, ponha ao sol por uma tarde, ou – se for demais – troque o material.

Outra coisa, em armários de cozinha dá pra fazer também. Só cuide pra que ele não fique com o cheiro do guarda-roupa, escolha as ervas e óleos essencias condizentes ao uso.

Simples solução, mas ajuda muito. Espero que possa te ajudar também.

Um beijinho,
Cris.